Todo preparador de goleiros precisa, no mínimo, ter passado pela função no futebol. E com Gilson Santos Silva, conhecido popularmente com Iuna, não foi diferente. Apesar da altura ser considerada ‘baixa’ para os padrões, desistir do sonho de colocar as luvas e defender a retaguarda de um clube nunca passou pela sua mente.

Atualmente como preparador de goleiros do Nacional FC, Iuna não poupou esforços para chegar aonde está. Mesmo distante da família, que mora em Goiás, a motivação para continuar no esporte é resumida numa palavra: alegria. Entretanto, o sorriso e a risada nem sempre o acompanharam ao longo desses 34 anos de experiência.

Casado com Rosangela há 22 anos, o pai de Paulo Ricardo e Ariadna perdeu momentos importantes na vida familiar por conta do futebol. Mas apesar das dificuldades, Iúna não esconde o orgulho e felicidade ao lembrar das pessoas que o fizeram forte perante as situações do dia a dia.

“Hoje os meus dois filhos estão na faculdade e fico feliz porque Deus os colocou em minha vida. E a minha esposa que ajudou a criá-los com carinho e dedicação. Ela fica sempre fazendo o papel do pai e da mãe. Sou extremamente grato por ter uma pessoa que ajuda muito”, conta emocionado.

Dificuldade é uma das palavras que está no dicionário de Iuna. Não tendo estatura tão alta, como, geralmente é a de goleiro, precisou provar para dirigentes, no início da carreira, que não importava o tamanho na baliza. “Eu nunca tive estatura alta de goleiro. Então, quando chegava em alguns clubes, como por exemplo, o Nacional de Minas para participar do Campeonato Mineiro, a diretoria se assustou porque viram que eu não tinha altura de goleiro. Então pedi para eles me avaliarem em três jogos. Passou as partidas e a diretoria veio me pedir desculpas, retiraram tudo que tinham dito em relação a minha altura. Foi um preconceito comigo, mas eu sempre superei com trabalho e dedicação”, lembra.

O pássaro Iúna

Por sua agilidade, velocidade e a estatura fora dos padrões para a posição, aos nove anos, foi apelidado de Iuna, por um amigo com quem jogava futebol amador, nome utilizado até hoje. “Iuna é um pássaro. Ganhei esse apelido com nove anos. Sempre tive a estatura baixa para goleiro, jogava futebol amador no meio de pessoal alto e um amigo, do Mato Grosso falou que, na cidade dele, tem um pássaro chamado Iúna, que é pequeno. Quando ele me viu saltando, voando nas bolas ele falou que eu parecia esse pássaro voando e aí pegou o apelido”, revela.

No Amazonas

No Amazonas, Iuna ficou conhecido após jogar seis anos defendendo o gol do São Raimundo EC. Conquistou alguns títulos no clube e, entre eles, o especial tricampeonato da Copa Norte. Na semana da final, ele lembra que passou a semana doente, com 38 graus de febre e, mesmo assim, foi para a partida decisiva. “No São Raimundo joguei seis anos e tive uma felicidade de pegar um grupo grande e vencedor. E a história marcante foi o a vitória do tricampeonato da Copa Norte em cima do Paysandu/PA. O Alberto fez o gol aos 44 do segundo tempo. Naquele dia eu joguei com 38 graus de febre, passei a semana inteira doente, mas o esporte tem dessas coisas, faz a gente ir além do limite. É o amor e compromisso com a profissão”, ressalta.

No próprio São Raimundo, aconteceu um dos momentos mais frustrantes da carreira. “Estava disputando a Copa dos Campeões pelo São Raimundo em 2003. Eu fazia um jogo impecável, mas aos 45 do segundo tempo, no último lance, o jogador adversário cruzou a bola, saí da meta e acabei socando errado a bola, deixando gol aberto para o adversário”, lamenta o ex goleiro.

A carreira de ‘professor’

Iuna começou sua carreira como preparador de goleiros no Nacional em 2007, ano que o clube foi campeão Amazonense. Ele permaneceu no clube até 2009. Nesta primeira passagem, Iúna carrega um ‘nó na garganta’. “A história triste no Nacional foi em 2009 quando perdemos a classificação para o Cristal. Um jogo que nós estávamos ganhando de 2 a 0 e virou para 5 a 2. Penso nisso até hoje porque era o ano que nós íamos conseguir o acesso. Se a gente passa pelo Cristal. Mas o clube não desistiu e aqui estamos para ir em busca desse objetivo”, afirma.

O retorno

Iuna voltou para o Naça em 2015 e renovou para ser preparador de goleiros em 2016. Sobre seu retorno ao Mais Querido, Iúna destaca o apoio da torcida. “A torcida me acolheu muito bem. Eu comecei minha carreira como preparador de goleiros no Nacional em 2007 e já tive a felicidade de ser campeão logo no meu primeiro ano na nova profissão. Fiquei três anos por aqui, fiz um bom trabalho e graças a Deus, o pessoal reconheceu o meu trabalho, tanto a torcida quanto a diretoria. Estou feliz em retornar no início deste ano e novamente sagrar-se campeão amazonense”.

Projetando 2016, Iúna promete goleiros mais fortes e preparados para as quatro competições que virão. “Farei de tudo para preparar os goleiros do Nacional FC. Agora é trabalhar para o acesso à Série C. O Nacional precisa, a torcida quer e esse é nosso compromisso”, finaliza.

Hoje estão sob o cuidado de Iuna os goleiros Roberto Gomes, Thiago Régis e Juninho

Por Klauson Dutra

Foto Ennas Barreto