Ser jogador de futebol requer força de vontade e dom. Duas palavras que estão presentes na vida de Alvaro, 22, meio campista do Nacional FC. Passando por três escolinhas até conseguir assinar contrato, o segundo mais jovem atleta do elenco azulino contou com a sorte e o acaso, atrelado ao talento, para conseguir aquilo que nem o mesmo imaginou: vestir a camisa de um clube profissionalmente.

Com espírito de atleta, Alvaro iniciou no mundo do esporte jogando capoeira, uma modalidade bastante praticada em sua cidade natal, Novo Cruzeiro, interior de Minas Gerais. No entanto, o meia não demorou para deixar de frequentar as aulas. Após uma entrada do adversário, ele conta que ficou traumatizado e, com o tempo, ele superou a dor e pediu para que a mãe o matriculasse em uma escolinha de futebol.

“Eu era capoeirista, quando pequeno. Aí eu levei um chute aos quatro anos e fiquei com trauma. Depois, chegou um cara novo na minha cidade e disse pra minha mãe que ia abrir uma escolinha de futebol. Então, como eu falei que não ia mais voltar para capoeira, ela me colocou na escolinha.”

Formação

O meia galgou por três escolinhas, duas na sua cidade, onde ficou até os dez anos. A busca pela realização do sonho o levou para Belo Horizonte/MG, onde morou na casa dos tios. Um projeto do Atlético-MG de formar categorias de base com alunos de escolinhas da capital deu a ele a oportunidade de mostrar seu talento.

“Fiquei nessa escolinha até os sete anos. Depois fui para outra na minha cidade, ficando até os dez anos. Com essa idade, eu mudei para Belo Horizonte para estudar. Chegando na capital, minha tia me colocou em outra escolinha. O Atlético nesta época estava formando categorias de base, então rolava confronto de escolinhas de futebol, até que gostaram do meu estilo e me chamaram para as categorias de base do clube.”

Dificuldades

O Centro de treinamento do Atlético-MG era distante da casa onde Alvaro morava. Para chegar sem atrasos, ele conta a maratona que enfrentava até chegar no CT. “Fui sozinho para BH morar com minha tia. Fiquei na casa dela dos 10 aos 12 anos. Sofria muito para chegar até o treinamento, todo dia atravessava a cidade e tinha horário marcado para pegar o trem. Se eu passasse do tempo, chegaria atrasado no treino.”

Aos 12 anos, Alvaro precisou se mudar para um local próximo ao CT do Galo. Mas, como ganhava R$ 100 por mês, não tinha condições de arcar com suas despesas. Na época, com ajuda de amigos e familiares conseguiu alugar um quarto de uma pensão.

“Para facilitar e chegar com tranquilidade ao treino, fui morar sozinho em uma pensão. Eu sempre contei com ajuda de algumas pessoas da minha cidade para pagar em dia o aluguel. Minha mãe dava uma parte, minha tia dava outra, e assim segui até os 15 anos, quando assinei meu primeiro contrato com o Galo.”

As dúvidas

Por ser do interior de Minas Gerais, a família de Alvaro chegou a ter dúvidas quanto ao futuro dele no futebol. Filho de pais separados e com quatro irmãos, Alvaro diz que é normal achar isso no início. “Eu venho do interior de Minas Gerais. Minha família não acreditava muito no início. Mas apesar disso, sempre me apoiaram e incentivaram. E deu certo, tanto que hoje estou jogando num clube conhecido e respeitado.”

Hoje, a família tem orgulho da carreira que Alvaro escolheu. “Atualmente eles têm muito orgulho de mim. Passei pelo América/RN, antes estava no Tupi/MG e hoje estou no Nacional FC. Deus abençoou minha vida.”

Carreira

Alvaro ficou dez anos no Atlético/MG. Depois, foi emprestado ao Tupi/MG. Em 2015, vestiu a camisa do América de Natal, atuando em todas competições por onde o clube passou: Copa do Nordeste, Campeonato Brasileiro Série C, Copa do Brasil e Campeonato Potiguar.

Em solo amazonense

Alvaro, assim como todo elenco, comissão técnica e torcida do Naça, tem um desejo em comum: conquistar o acesso à Série C do Campeonato Brasileiro. Para isso, o mineiro garante que não poupará esforços. “Desde que cheguei aqui em Manaus, vejo e ouço os torcedores dizendo que querem o acesso à Série C. A conquista se tornou objetivo para todos do elenco e eu farei de tudo para subir de divisão.”

Alvaro afirma que vestir o manto azulino é uma resposta as suas orações. “Eu nunca imaginei vestir a camisa do Nacional. Mas foi uma resposta de oração. Eu e minha esposa passamos por um momento difícil até chegar em Manaus. Estou muito feliz de estar aqui e ajudarei o Naça.”

Além de Alvaro, o Nacional FC conta com mais quatro meias no elenco: Raílson, Max William, Hugo e Eusebio.

Por Klauson Dutra